
http://www.appai.org.br/jornal_educar/jornal61/Pag_06-07_JE61.pdf
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OUVINDO, CONTANDO E RECONTANDO HISTÓRIAS

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Relembrar, atualizar a notícia que vem dos Centros, comentar sobre os burburinhos da vizinhança. Estas parecem ser algumas das muitas qualidades atestadas pelo contador, conservando as histórias reais ou imaginárias, atuando como mensageiro, transportando para os versos as agruras cotidianas.
Como demonstrara Arthur Ramos (1935), os cantadores possuem a função de transmitir de geração a geração, os ensinamentos, as crenças, as tradições, as genealogias, tomando de empréstimo da vida, todo o repertório.
Este “homem arquivo” como afirmara Ramos reelabora sob métricas exigentes, as versões oficiais da história para o mundo de infinitas possibilidades da linguagem. Apegando-se à palavra, esse narrador assemelha-se aos Akpalôs africanos, cujo papel seria o de vagar pelo mundo afora, “recitando seus alôs ou contos” (Ramos, 1935: 161).
Neste sentido, Arthur Ramos confirma a origem africana dos nossos contadores brasileiros, herança de uma tradição oral africana a exemplo dos griots, cujo dever é o de exercer o dom da palavra como conselheiro dos Reis e príncipes por possuir a maneira adequada de dizer as coisas.
Figura importante, os griots transmitem esta qualidade por descendência, preparando-se por anos, aprendendo a administrar a memória, primando pela oralidade, reverenciando a palavra com sacralidade.
Hampaté Bâ nos esclarece a respeito do papel dos griots nas sociedades africanas pautadas na tradição oral de comunicação em que esses personagens atuam como verdadeiros “animadores públicos”, responsáveis também por recreações populares.
Espécies de trovadores e menestréis percorrem as comunidades, animando pela música, pela poesia e pelos contos. São distinguidos em três categorias:
a) os griots músicos;
b) os griots embaixadores, responsáveis pelo apaziguamento entre famílias no caso de tensões;
c) os griots genealogistas, atuando como verdadeiros historiadores.
No mais, o griot se insere no quadro social a que pertence, uma vez que onde predominam as relações pautadas em específicos modos de comunicação, pleiteia o papel de mediador, articulando pela palavra notícia, conhecimento, divertimento à coletividade.
Proporcionando o diálogo entre os indivíduos, este agente reestabelce os muitos nós da rede comunicativa. Por sua vez, igualmente persiste como veículo de informação, transmitindo saberes, informando.
*Elaine Perdigão é mestranda do curso de Pós-Graduação de Antropologia da UFF e desenvolve pesquisas sobre repentistas, cordelistas e trovadores na Feira de São Cristovão no Rio de Janeiro
Referências Bibliográficas:
HAMPATÉ BÂ, A. “A Tradição Viva” in História Geral da África (org) J. Ki-Zerbo
RAMOS, Arthur. O Folk-Lore Negro do Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1935.


Espaço de Leitura Griot para 2009 traz como proposta de trabalho o desdobramento do projeto do IEPIC:
“Gentileza Gera Gentileza”
“Eu pergunto a vocês: no mundo meus filhos, quem é mais inteligente o livro ou a sabedoria? Não é a sabedoria? Então, eu sou a sabedoria, nós somos a sabedoria de Deus”
Gentileza
Gentileza um Griot urbano:
A partir da história de vida do profeta Gentileza iremos trabalhar os seguintes itens:
- O significado do Griot em nossa sociedade e nas sociedades africanas.
- As histórias de Gentileza, as nossas histórias e de nossos ancestrais.
- O sentido e a força da palavra para Gentileza e o sentido e a força da palavra para o povo africano.
“A escrita é uma coisa, o saber, outra. A escrita é a fotografia do saber em si. O saber é uma luz que existe no homem. A herança de tudo aquilo que nossos ancestrais vieram a conhecer e que se encontra latente em tudo o que nos transmitiram, assim como o baobá já existe em potencial em sua semente.”
Tierno Bokar
Griot da Nigéria .
"Pode-se dizer que o ofício, ou a atividade tradicional, esculpi o ser do homem. Toda diferença entre a educação moderna e a tradição oral encontra-se aí. Aquilo que se aprende na escola ocidental, por mais útil que seja, nem sempre é vivido, enquanto o conhecimento herdade da tradição oral encontra-se na totalidade do ser."
Amadou Hampaté Bâ.



"Eu achei que a professora se esforçou muito para conseguir essa salinha para os alunos. Eu gostei muito dessa salinha porque me diverti muito vendo filmes, fazendo trabalhos, lendo livrinhos, ouvindo historinhas que a professora contou."
(Thiago/ Turma 601)
"Eu achei a sala legal. Porque têm livros legais e engraçados. Achei os filmes legais principalmente Kiriku, achei ele muito engraçado e bonitinho. Os deveres são legais e a professora também é legal. Todos gostam da salinha. As histórias que a professora conta são legais. As bonecas, a televisão, o rádio... a salinha. Nunca vou esquecer."
(Rita de Cássia/Turma 601)
"Eu achei as historias ótimas e também gostei muito de usar a salinha é muito educativa. Tem filmes interessantes e também gostei dos livros, tem muitos livros bons."
(Antônio/Turma 601).
"(.. ) é interessante a salinha é muito diferente, ela expressa muita energia.Ficar ali sentado em rodinha ao redor dos livros isso é muito bom...a salinha é limpinha, cheirosinha etc...Eu aprendi muito sobre a cultura linda da África..."
(Paulo Hugo/ Turma 602)

"(...) A salinha é super manera eu acho interessante aquelas bonequinhas de pano africanas são lindas!"
(Késia Ferreira/ Turma 602)
"Na aula da professora Perses, assistimos filmes educativos, ouvimos histórias da áfrica e fazíamos vários trabalhos que ensinavam como é importante a cultura e como a África é rica em historias e crenças."
(Victória/Turma 602)

"Eu achei esse espaço muito divertido, legal e interessante. Foi a primeira vez que eu tive aula assim em roda, ouvindo histórias, assistindo dvd, histórias de vida e dos índios e dos africanos. Eu espero que ano que vem esse espaço ainda exista e que eu Thais possa passar vários anos freqüentando esse lindo espaço que é o espaço Griot, um espaço lindo, educativo e maravilhoso."
(Thais/Turma 602)

"Eu gostei dos livros, das revistas, histórias, dos desenhos e do ambiente, ou seja, aonde fica essa árvore em frente."
(Gabriel/ Turma 606)
"Eu achei que as aulas na salinha foram muito boas. A professora dava filmes e lia muitas histórias. A professora falava sobre Griot que contava histórias."
(Luís Fernando/Turma 606)

"Eu gostei dos filmes, dos trabalhos, das histórias, das bonecas, das galinhas d’angola, dos livrinhos e dos poemas."
(Cíntia Matos/ Turma 606)
"Gostei dos filmes das histórias, dos versos do ambiente e da maneira diferente de dar aulas..."
(Fabiana/ Turma 606)
"Gostei da salinha porque lá tinha dvd, televisão, rádio, tinha brincadeira, e a professora contava várias histórias maneiras. E o melhor de tudo é que tinha espelho."
(Carolina/Turma703)

"As aulas da professora Perses foram legais. Fizemos de tudo um pouco. Uma das coisas que agente fez foi a pintura da sala. Esse dia foi super legal. O rapaz veio pintar a sala, veio o outro rapaz e ficou falando sobre a vida dos Griots e muitas outras coisas. Depois vieram os meninos do Hip Hop eles deram palestra e dançaram, colocaram música e muito mais, foi perfeito. A salinha Griot foi a melhor coisa que a professora Perses fez. Agente vai pra lá e se diverte muito. A professora fez a melhor coisa do mundo."

"Salinha mágica. Depois que eu comecei a ter aulas na salinha tudo ficou mais divertido. A aula ficou mais animada. Agente aprende cada vez mais um com os outros... Toda vez que temos aula na salinha parece uma festa de palavras e leituras, informações. Aonde aparecem histórias, lendas e até músicas...Foi um ano de muitas vitórias e muitas conquistas.Eu sei que aprendi muito na salinha Griot.Uma sala cheia de livros e histórias pra contar.Vou guardar pra sempre. Só tenho mais, é que agradecer por tudo mesmo. Depois que eu comecei a ter aulas na salinha eu até gostei mais de ler."
Seis pequenos contos africanos sobre a criação do mundo e do homem.
Raul Lody. Pallas. 2006
Há muito tempo, o Brasil recebeu muitos homens e mulheres que foram capturados em diversos lugares da África e escravizados. A história de seus povos, os segredos da sua religião, os modos de fazer as coisas eram contadas pelos mais velhos para os mais jovens. Falaram de seus deuses, de seus mistérios, de sua sabedoria. E as velhas lendas continuaram a ser narradas.
Quianda e Quicimbe

Algumas cenas do desenho: